Empresas de tecnologia querem mais mulheres

28 July 2016
 

Mulheres em equipes de TI ajudam a impulsionar inovação

Sheryl Sandberg, chefe de operações do Facebook

Quando alguém pensa em profissionais de engenharia de software, desenvolvimento de sistemas e segurança da informação, dificilmente imagina uma mulher. Mesmo procurando avançar na qualificação, culturalmente as mulheres ainda são pouco estimuladas a seguir carreira em áreas ligadas à tecnologia. Algumas das maiores empresas do mercado de TI, ainda dominado por homens, buscam reverter esse cenário no ambiente de trabalho ao investir na busca e retenção de talentos femininos.

Os esforços das empresas de tecnologia por inclusão de gênero vão desde criar metas para aumentar o número de mulheres em seus quadros, a programas de treinamento específicos para elas avançarem na carreira. Paula Bellizia, presidente da Microsoft no Brasil, acredita que um ambiente de trabalho mais inclusivo reflete a sociedade e influencia diretamente na inovação. Sua meta na companhia é conseguir que 50% dos cargos sejam ocupados por mulheres. “Queremos ter diversidade de ideias, experiências e perfis para termos uma empresa realmente plural, que espelhe os consumidores que atendemos diariamente com nossos produtos e serviços”, diz.

Uma das conquistas alcançadas por Paula foi incluir pelo menos uma mulher entre os finalistas para concorrer a uma vaga na companhia. Os próximos objetivos são manter profissionais selecionadas, fazer com que 30% delas alcancem posições de liderança e que 60% reportem diretamente à presidente. 

Diversidade e inovação

A Dell, fornecedora global de soluções de TI, possui um grupo de diversidade dedicado e liderado por mulheres (WISE) para promover ações voltadas ao desenvolvimento de profissionais do sexo feminino. Globalmente, a empresa tem 32% de colaboradoras e 24% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres, sendo que este percentual no Brasil supera o índice global. Para estimular o empreendedorismo feminino, mantém ainda o Dell Women’s Entrepreneur Network (DWEN), uma rede internacional de capacitação e contatos entre executivas e empresárias parceiras da companhia.

“Estudos demonstram que quando homens e mulheres ocupam posições de liderança, a inteligência de negócio e o crescimento da corporação melhoram”, afirma Luciana Madrid, diretora de Recursos Humanos da Dell Brasil. Promovida ao cargo quando retornou da licença maternidade, a executiva é um exemplo do crédito dado às mulheres. “Buscamos acelerar o autoconhecimento e a busca da autenticidade na sua liderança, compartilhando exemplos de sucesso e potencializando o networking”, afirma.

Valor dos laços

O Facebook, empresa co-liderada globalmente pela chefe operacional Sheryl Sandberg, também faz o possível para incluir mulheres entre os candidatos a cada uma de suas vagas. E acredita no potencial das profissionais que se tornam mães e investe na qualidade das relações familiares de seus funcionários. Por isso criou a licença parental remunerada de 4 meses. “Entendemos a importância da convivência de mães e pais para o desenvolvimento da criança nos primeiros momentos de sua vida”, explica Ana Carolina Borghi, gerente de RH do Facebook para América Latina.

A licença vale para escritórios de todo o mundo e pode ser utilizada no primeiro ano de vida da criança, seja por pais e mães biológicos ou adotivos, incluindo casais do mesmo sexo. A empresa também oferece flexibilidade de horários para facilitar a adequação à rotina dos filhos.

“Acreditamos que toda mulher é capaz de voltar plenamente às suas atividades após a licença maternidade. Inclusive, temos exemplos de funcionárias que souberam da gravidez enquanto passavam pelo processo seletivo. Isso não foi impeditivo para que fossem admitidas, da mesma forma que não interfere para que sejam promovidas”, reforça Ana Carolina.

Globalmente, o Facebook mantém uma parceria com o LinkedIn para desenvolver programas de mentoria e apoio em faculdades. O objetivo é levar mais mulheres a se envolverem em carreiras de tecnologia em geral, mas também qualificá-las para que futuramente possam se juntar aos quadros de funcionários de ambas as empresas. “Iniciativas como essas podem encorajar mulheres a explorar oportunidades nas carreiras de tecnologia. É uma forma de ampliar a diversidade no ambiente de trabalho com profissionais cada vez mais preparadas para os desafios do mercado”, afirma Ana Carolina.