Inspire-se nestas Brasileiras Inovadoras

10 November 2016
 

O trabalho de mulheres inovadoras sempre teve importância no avanço da civilização, ainda que se fale pouco de seus exemplos. Invenções que revolucionaram nosso cotidiano, como a geladeira, fraldas descartáveis, o transmissor wireless, softwares, entre muitas outras, surgiram graças a mentes femininas.

No Brasil de hoje, o espírito empreendedor de várias mulheres encontra a inovação para mudar a vida das pessoas. Com formação em áreas de tecnologia e ciências, há brasileiras investindo em suas ideias para solucionar grandes problemas dos nossos tempos.

Selecionamos algumas delas para que vocês possam acompanhar o seu trabalho e se inspirar.

Chip para diagnóstico precoce de câncer

“Um dia percebi que a ciência sozinha não iria ajudar as pessoas. Precisava do empreendedorismo para viabilizar o produto final. Neste dia, me descobri empreendedora” – Deborah Zanforlin, Biomédica

debora
Foto: Divulgação

A pernambucana Deborah Zanforlin sempre se imaginou trabalhando em um laboratório. Biomédica formada pela Universidade Federal de Pernambuco, ela pesquisa um sistema de diagnóstico para detectar precocemente 18 tipos de câncer. Sua startup, a ConquerX está trabalhando em um chip que, através de um exame de sangue, identifica a doença mesmo no estágio inicial, fornecendo o resultado em apenas quinze minutos.

Para seguir seu sonho, Deborah precisou abandonar a carreira acadêmica, passou um tempo desempregada e foi para longe da família e amigos. Ela ganhou uma bolsa para um bootcamp de empreendedorismo no MIT, onde conheceu parte da equipe que hoje forma a ConquerX. Entre as dificuldades que enfrenta, a falta de recursos para pesquisa é o maior desafio. Deborah conseguiu um patrocínio parcial da UNIFAVIP DeVry Brasil, onde é professora, e agora faz uma campanha de financiamento coletivo para manter a startup.

“O que mais me inspira a não desistir é a vontade de ajudar as pessoas através da ciência. Me formei vendo as imensas filas do Hospital das Clínicas de Pernambuco”, lembra. Seu projeto foi aceito por uma das maiores aceleradoras do mundo, MassChallenge (Boston/EUA), instituição sem fins lucrativos que investe em inovação para melhorar o mundo.

Para participar do programa, ela e sua equipe se mudaram para Boston, onde estão construindo protótipos e iniciando parcerias para os testes clínicos. Também recebem mentoria e assistência para os procedimentos junto aos órgãos regulatórios. “Saber que estou trabalhando em uma inovação que vai ser acessível e poder salvar pessoas é o que me faz levantar da cama todos os dias”, afirma.

Saiba mais sobre a ConquerX.

 

Tecnologia para economizar água na agricultura

“Costumo ser uma das poucas mulheres nos eventos de tecnologia e agronegócios. Há, sim, uma barreira de entrada. Vale a pena persistir, porque isso incentiva outras mulheres a contribuir nessas áreas” – Mariana Vasconcelos

mariana
Foto: Ilana Lichtenstein / CatracaLivre

Mariana Vasconcelos nasceu em Itajubá, sul de Minas Gerais. Formada em Administração pela Universidade Federal de sua cidade, começou a desenvolver negócios em torno da Internet das Coisas, tecnologia que permite o uso de sensores em objetos para coleta e monitoramento de dados em tempo real. Filha de um produtor agrícola, sempre acompanhou de perto os desafios da vida no campo, o que lhe deu a ideia de empregar a tecnologia na agricultura.

Em 2014, ela criou uma plataforma que monitora a plantação para tornar a irrigação mais efetiva, com economia de até 60% de água e energia. Sensores espalhados em pontos estratégicos coletam dados que são processados em aplicativos para smartphones e tablets. Assim, o agricultor pode controlar a quantidade de água necessária e o melhor momento para irrigar, além de ajuda para identificar a melhor hora para a colheita ou auxiliar no controle de pragas.

Com essa solução, Mariana foi uma das selecionadas para uma bolsa de três meses na Singularity University, centro de pesquisa fundado por um grupo de empresas como Cisco, Google e Nokia no Vale do Silício.

Sua empresa, Agrosmart, tem clientes em diversos estados, principalmente no sul de Minas e interior de São Paulo. Agora, Mariana se prepara para ter representantes regionais e atender mais produtores. “É muito bom ter um negócio que melhora da vida das pessoas, beneficia o meio ambiente, tem impacto econômico positivo, e é lucrativo”, afirma.

Saiba mais sobre a Agrosmart no Facebook.

 

Asfalto sustentável

Samantha Karpe e Letícia Camargo Padilha se conheceram no curso técnico em mecânica, durante o Ensino Médio, na Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha, em Novo Hamburgo (RS). Uma das tarefas das jovens gaúchas era desenvolver um projeto de inovação, em 2012. Atentas à deterioração do pavimento das vias públicas, que causa tantos prejuízos e acidentes, pensaram em criar um asfalto alternativo, ecológico e sustentável.

Elas pesquisaram como transformar lixo plástico em uma solução e chegaram a uma liga que batizaram de PoliWay. A partir da fusão de brita, base do asfalto comum, com o plástico reciclado, as estudantes criaram um produto que pode ser até 5 vezes mais resistente e 16% mais barato do que o convencional.

Como não havia na escola um laboratório adequado para trabalhar no produto, elas pediram apoio a empresas e instituições de pesquisa. “Tivemos que mudar muitas coisas durante o desenvolvimento em laboratório, mas nada que os livros, engenheiros ou professores não pudessem nos ajudar”, conta Letícia. Com amparo de empresas e pesquisadores, elas continuaram investindo no produto e na empresa. “Existem diversos locais disponíveis para a aplicação, mas o que ainda falta para que isso seja viável é a disponibilidade de uma máquina para a usinagem do asfalto”, explica a estudante de Engenharia.

O PoliWay ainda não está disponível no mercado, mas o trabalho das jovens vem sendo reconhecido por diversas instituições. Elas participaram de feiras de ciências e tecnologia como a 2ª DOESEF, na Turquia, e a MOSTRATEC, da Fundação Liberato (27ª e 28ª edições), receberam o Prêmio Brasil Criativo (Arquitetura) e foram selecionadas pelo Programa Braskem Labs. Venceram o quadro Jovens Inventores do programa Caldeirão do Huck e conquistaram este ano o Prêmio CLAUDIA na categoria Revelação.

“Nos falaram diversas vezes que já somos vitoriosas. Não por sermos mulheres, mas por sermos jovens e estarmos mudando um pouquinho o mundo” – Letícia Camargo Padilha e Samantha Karpe, estudantes de Engenharia

poliway
Foto: Divulgação

Saiba mais sobre o PoliWay.