Conheça Alessandra

14 June 2016

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Microcrédito descomplicado

"Algumas ideias demandam poucos recursos para gerar um impacto positivo na vida das pessoas. O microcrédito serve para isso"

Alessandra França multiplica entre empreendedores das classes C, D e E, especialmente jovens, as mesmas oportunidades que recebeu em sua trajetória. Ela criou o Banco Pérola, um banco de microcrédito orientado que contribui para o desenvolvimento econômico e social de Sorocaba e cidades vizinhas. Com o projeto, até 2015 atendeu mais de 600 pequenos negócios e concedeu mais de 5 milhões de reais em créditos.

“Alguém tem que acreditar nesses empreendedores”

Aos 16 anos, Alessandra França leu o livro O Banqueiro dos Pobres, do economista bengalês Muhammad Yunus, ganhador do Prêmio Nobel da Paz. Foi dele que a jovem tirou a inspiração para anos depois criar o Banco Pérola, que inovou ao focar no microcrédito para empreendedores considerados pouco confiáveis para as instituições financeiras tradicionais. A primeira fonte de financiamento foi o prêmio de um programa de empreendedorismo social, conquistado por Alessandra graças ao potencial de impacto social do seu projeto. Com menos de 30 anos e apenas R$ 40 mil, ela se tornava gestora de uma instituição de crédito.

 O objetivo do Banco Pérola é desburocratizar o processo e facilitar o acesso ao crédito no valor de até R$ 5 mil para um perfil de empreendedor que, sem o aporte, desistiria de seu sonho. Outro diferencial do banco é a concessão do microcrédito orientado, que inclui um acompanhamento constante do negócio pela equipe dos operadores de microcrédito do próprio Pérola e de parceiros. Eles fornecem informações sobre educação financeira e auxiliam o empreendedor durante todo o crédito para evitar dificuldades que levam à inadimplência.

Em quase seis anos de existência, e com a criação de um Fundo de Investimento, o primeiro em microcrédito solidário do Brasil, captou cerca de 10 milhões de reais, entre doações e investimentos da iniciativa privada que buscam gerar impacto social. Foram emprestados mais de 5 milhões de reais e mais de 70% dos empreendimentos apoiados são geridos por mulheres, operando em áreas como comércio de roupas, alimentos, salão de beleza, construções e reformas.

Quando o esforço atrai a oportunidade

Para entender as motivações de Alessandra França, é preciso entender suas origens. Ela nasceu no Paraná, filha de agricultores. Um período difícil na lavoura fez com que a família migrasse para Sorocaba, no interior de São Paulo, em busca de uma vida melhor. Alessandra estudou em uma escola pública, até que em 2001 conseguiu uma vaga no Projeto Pérola, que ensinava tecnologia digital a jovens de baixa renda da cidade. Estudiosa e disciplinada, a garota conquistou uma bolsa de estudos em uma escola particular para fazer o Ensino Médio.

A determinação de Alessandra possibilitou conciliar os estudos com o trabalho no Projeto Pérola. Sua vontade era retribuir as oportunidades que havia recebido. E assim, em 2004, com apenas 19 anos, assumiu a coordenação da organização com o desafio de fazê-la crescer de duas para 42 unidades. Passados quatro anos, com a meta alcançada, Alessandra sentiu que precisava de uma nova missão. Depois de trabalhar em uma renomada empresa de tecnologia, fazer graduação em Marketing e especialização em Banking pela Fundação Getúlio Vargas – FGV, ela passou a coordenar a Escola de Talentos, uma ONG que oferecia mentoria para formação de jovens empreendedores. Lá, percebeu que muitos bons negócios não prosperavam por falta de investimento. Para solucionar este problema, ela fundou o Banco Pérola, junto com outros dois jovens que conheceu no Projeto Pérola. “O sucesso do empreendimento depende muito de quem está por trás. Aprender a parte técnica é relativamente fácil, encontrar pessoas que tenham garra é o grande segredo”, diz.

Este ano, diante dos desafios sócio-econômicos vivenciados no País, o Banco Pérola ampliou seu foco de atendimento. Deixou de ser um projeto local para se tornar uma plataforma de microfinanças com escala nacional. Assim, os valores captados através do fundo de investimentos serão disponibilizados para organizações parceiras que operam com o microcrédito produtivo orientado. Essas instituições também são lideradas por mulheres, presentes não só no desenvolvimento dos pequenos empreendimentos, mas, também à frente dessas organizações. O objetivo é que todas as regiões brasileiras sejam atendidas.

Saiba mais sobre o Banco Pérola no Facebook.

Fotos: Dejumatos

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