Conheça Ana

14 June 2016

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Negócios com visão humana

"As mulheres até poderiam dominar o mundo, mas nos tornamos empreendedoras para melhorar o mundo"

A experiência em grandes corporações fez Ana Fontes descobrir um propósito: auxiliar outras mulheres a conquistar autonomia com um negócio próprio. Com a Rede Mulher Empreendedora, ela promove eventos, capacitação e networking entre 270 mil empreendedoras de todo o país.

Determinação que veio de longe

Em 1970, uma família de Igreja Nova, cidadezinha no interior de Alagoas, se muda para São Paulo com seus oito filhos para tentar uma vida melhor. Ana Fontes era uma das crianças, então com quatro anos de idade. Eles se instalaram em Diadema, na Grande São Paulo e, apesar da falta de recursos, os pais fizeram questão de investir na educação dos filhos. Ana estudou em uma escola pública, se formou em Publicidade e Propaganda em uma faculdade particular. Pagava as mensalidades com ajuda de vizinhos e vendendo bolos.

A formação foi o caminho para Ana conseguir emprego em uma multinacional nos anos 1990. Fez ainda pós-graduação em Marketing e em Relações Internacionais. Apesar de sempre se mostrar determinada, estudar e alcançar bons resultados em suas funções, nada parecia ser o suficiente para que ela crescesse nas empresas em que trabalhou. “Um dos meus superiores chegou a elogiar meu currículo, mas disse que não iria me promover porque eu era mulher”, diz. A necessidade constante de se superar no ambiente corporativo ficou ainda mais forte depois que ela se tornou mãe.

Depois de passar por grandes empresas, a vontade de fazer algo diferente e o desejo de contribuir para a sociedade despertaram na publicitária Ana Fontes a vontade de empreender. Assim como outras mulheres que se lançam nesse tipo de jornada, ela desejava fazer algo que permitisse ter mais flexibilidade. Ser dona do próprio tempo para ter qualidade de vida ao lado da família. Queria fazer alguma coisa com que realmente se identificasse e que pudesse deixar um legado para o mundo.

Uma por todas

Depois de algumas investidas que trouxeram experiência e aprendizado com pequenas e médias empresas, Ana percebeu as particularidades dos desafios que as mulheres enfrentam para criar seus próprios negócios. Em 2009, ela participou do programa 10.000 Mulheres, uma parceria entre a FGV e o grupo Goldman Sachs, que oferece capacitação em gestão de negócios para melhorar a qualidade do empreendedorismo feminino. Com a experiência, percebeu uma demanda de educação empresarial pouco explorada.

Para compartilhar seu conhecimento e poder ajudar mais mulheres a transformarem suas ideias em negócios viáveis, em 2010 ela criou a Rede Mulher Empreendedora. A plataforma para compartilhar conteúdo e divulgar empresas de mulheres tornou-se a maior rede focada em empreendedorismo feminino no Brasil.

“As mulheres geralmente se preocupam com a equipe e quem está à volta. Ajudam as pessoas a crescer junto com o negócio. Isso tem um impacto positivo no desenvolvimento econômico e social de um país.”

A RME mantém um portal com conteúdo gratuito sobre empreendedorismo e disponibiliza um mural de anúncios dos negócios das mais de 56 mil participantes da Rede. Para cumprir sua missão, Ana e sua equipe também realizam workshops e palestras, oferecem eventos de networking, rodadas de negócios e programa de mentoria. O Facebook é o principal canal de divulgação das atividades, com mais de 260 mil fãs na Página e um grupo com mais de 30 mil empreendedoras em diálogo constante.

Para se manter, a RME conta com o patrocínio de empresas que apoiam o empreendedorismo feminino. Também cobra ingressos para os eventos que realiza em São Paulo e outras 40 cidades brasileiras, onde conta com embaixadoras voluntárias.

Mudança no quadro social

Pela experiência à frente da RME, Ana observa que sua motivação não foi incomum. Empreender é o caminho para muitas mulheres continuarem ativas e preservarem a autonomia após a maternidade. “Apesar de todos os avanços sociais e reconhecimento das competências da mulher, o ambiente corporativo ainda tem certa hostilidade contra nós”, afirma.

Ana acredita que os principais desafios das empreendedoras hoje são justamente ligados ao histórico cultural do papel da mulher na sociedade. “A gestão financeira, por exemplo, ainda é um tabu”, diz. “Muitas ainda se sentem desconfortáveis em reconhecer a importância do dinheiro”. São questões como estas que o trabalho da RME procura desconstruir.

Nos próximos anos, a empreendedora espera concluir seu ciclo à frente da Rede. Ela pretende ajudar na construção de políticas públicas para fortalecer o empreendedorismo feminino no Brasil. “As mulheres têm força e resiliência para criarem suas próprias empresas, mas isso precisa se transformar em sucesso”, diz. “É preciso criar condições para que essas gestoras tornem os negócios sustentáveis e transformem um número cada vez maior de vidas”.

Saiba mais sobre a Ana Fontes no Facebook e Grupo Mulheres Empreendedoras.

Fotos: Dejumatos

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