Conheça Andrezza

06 August 2016

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Liderança trans

"Os direitos humanos de travestis e transexuais são violados o tempo todo. Queremos ter acesso a saúde, a postos de trabalho, e respeito à nossa identidade. Ou seja: dignidade"

Pioneira no ativismo pelos direitos de travestis e transexuais na Bahia, Andrezza Bellushi trabalha na prevenção de DSTs e Aids direcionada a uma parte desta população que, por não ser aceita no mercado de trabalho, se encontra na prostituição. Secretária Nordeste da Rede Trans Brasil e à frente da ONG Projeto Esperança, ela também faz acompanhamento hospitalar e domiciliar de pessoas trans portadoras de HIV.

Rompendo barreiras

As escolhas de uma mulher transexual trazem muitos desafios e cada uma delas ainda sofre com o preconceito de grande parte da sociedade. As lutas que fazem parte do cotidiano de Andrezza Bellushi, contudo, não tiram sua determinação, a capacidade de oferecer esperança, nem mesmo seu bom humor. Ela conquistou sua autonomia e seu trabalho hoje é ajudar a reduzir o sofrimento de travestis e transexuais que vivem em situação de vulnerabilidade social.

Nascida em 1967 na cidade de Salvador, se identificava como André até por volta dos 19 anos, quando iniciou o seu processo de transição de identidade sexual. Foi a mesma época em que começou a entrar em contato com a militância pelos direitos LGBT. Era auxiliar administrativo e atuava como voluntário no GGB – Grupo Gay da Bahia, uma das primeiras organizações do segmento no país. Foi um trabalho no que abriu portas para ajudar a compreender sua própria condição e mostrou a urgência de promover a prevenção de DSTs e Aids para toda a população.

Em 1995, o GGB fundou a Associação de Travestis e Transexuais de Salvador (ATRAS), da qual Andrezza foi presidenta de 1996 a 1999. Em paralelo, manteve atividades no GAPA – Grupo de Apoio e Prevenção à Aids.

Prevenção e apoio

Andrezza concluiu sua transição e assumiu sua identidade feminina há mais de 30 anos, mas continua com o nome masculino nos documentos. Essa é uma das dificuldades enfrentadas na busca de emprego. Ela admite que cogitou “fazer pista”, como se chama a prostituição de rua entre os profissionais do sexo, mas encontrou outras saídas até conseguir se estabelecer profissionalmente no atendimento a travestis e transexuais. “O mercado de trabalho não está aberto para as travestis”, afirma. “Mesmo em algumas áreas mais amigáveis com LGBTs, como decoração, costura, cozinha e salões de beleza, quem emprega geralmente exige que as meninas cortem os cabelos e ocultem os seios”. diz.

Segundo dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), mais de 90% da população de travestis e transexuais femininas atua na prostituição. Isso ocorre em virtude da falta de oportunidades de educação e trabalho digno, mas também pela convivência com situações de abuso sexual e psicológico desde a infância e a adolescência.

Em 2016, Andrezza completa 16 anos de trabalho no Projeto Esperança, que desenvolve ações educativas e políticas para a prevenção de DSTs e HIV, tendo como público principal profissionais do sexo, travestis, transexuais e homossexuais. A ONG também é preocupada em promover a qualidade de vida e a integração de indivíduos em situação de vulnerabilidade física e social. Para isso, presta apoio jurídico, psicológico e social a cerca de 50 pessoas diagnosticadas como portadoras de DSTs e HIV ou pacientes com Aids.

Andrezza faz visitas às pessoas atendidas pelo projeto e promove pessoalmente campanhas para arrecadar doações em dinheiro, alimentos, roupas e objetos. “Mesmo estando doentes, muitas das meninas continuam na prostituição e vivem de forma muito precária. Qualquer ajuda é bem-vinda para elas”, conta.

A ativista segue no trabalho de conscientização das travestis e seus potenciais clientes, mas espera que a sociedade esteja se preparando para oferecer um futuro mais justo e igualitário para elas e todas as mulheres trans. “Quando as travestis forem aceitas, acolhidas e tiverem oportunidades de trabalho decente, elas vão poder se preocupar mais com suas carreiras e seu papel na sociedade, e menos com os riscos a suas vidas”, diz.

Saiba mais sobre a Rede Trans Brasil no Facebook.

Fotos: Sora Maia

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