Conheça Camila

11 June 2016

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Por mais mulheres na tecnologia

"Em breve, a programação vai ser um pré-requisito no mercado de trabalho, uma espécie de idioma que vai abrir muitas portas para quem o domina"

Quando se deu conta da falta de mulheres em carreiras que envolvem tecnologia, Camila Achutti decidiu usar sua experiência para aproximar meninas da área. Com o blog Mulheres na Computação e dando aulas de programação, ela vem contribuindo para aumentar a diversidade de mão de obra do setor no Brasil. Em apenas três anos, seu trabalho impactou as vidas de cerca de 15 mil jovens de ambos os sexos.

Com um holofote na cabeça

Ser a única mulher em uma turma de Ciência da Computação da USP fazia Camila Achutti sentir que chamava atenção. Qualquer coisa que fizesse, boa ou ruim, estava sob o olhar atento de colegas e professores. A garota de 18 anos, que só desejava seguir a carreira de programadora, como o pai, percebeu que precisava se esmerar mais do que os outros alunos para cumprir as mesmas tarefas. A pressão que faz muitas desistirem no primeiro ano de curso inspirou Camila a criar o blog Mulheres na Computação para compartilhar seu aprendizado, a partir de exemplos e uma linguagem atraente para o público feminino.

“Enquanto não houver diversidade no perfil dos profissionais de tecnologia, não haverá empatia suficiente para direcionar a tecnologia à solução de problemas dos diferentes grupos sociais”

Depois de um período trabalhando em uma empresa global de tecnologia nos EUA, decidiu voltar ao Brasil para multiplicar o que aprendeu. Hoje, ela acumula as funções de Fundadora e CTO da consultoria de inovação Ponte21, Influenciadora Digital da FIAP, lidera projetos como a Semana da Mulher na Tecnologia e a Maratona de Aplicativos, é embaixadora do Technovation Challenge Brasil e instrutora no Master Tech, uma plataforma para desenvolvimento de habilidades do século 21.

Para a engenheira de software, ter o mínimo de letramento digital é um diferencial em qualquer profissão. “Se as meninas tivessem, desde pequenas, uma proximidade maior com ferramentas tecnológicas, teriam mais condições de igualdade no mercado de trabalho como um todo”, diz.

Poder ao alcance de todos

Com os projetos que criou ou dos quais participou, Camila ensinou cerca de 15 mil jovens a programar. Segundo ela, crianças e adolescentes, embora hiperconectados, não estão fazendo uso crítico das ferramentas e também não tem noção do poder dos conteúdos, por isso defende que o ensino de tecnologia precisa ser ampliado.

Sua maior satisfação é saber que muitos dos jovens para os quais deu aula acreditam hoje que todos têm direito a voz e, com isso, podem mudar o mundo. “O acesso à tecnologia é uma questão de todos. e que pode beneficiar grupos minoritários, como indígenas, homossexuais, pessoas com deficiência, entre outros que precisam de maior representatividade. Todo profissional precisa estar preparado para receber pessoas diversas em suas equipes”, diz. Na sua opinião, é necessário incluir os mais variados grupos sociais para tornar as empresas capazes de romper com padrões e, assim, desenvolver soluções para problemas reais.

“A inovação surge quando existe conflito, por isso a diversidade é tão importante para avançarmos no desenvolvimento”.

Para Camila, mais do que fornecer capacitação, as iniciativas que realiza são uma maneira prática de difundir algo em que acredita: saber programação traz mais independência, ajuda a desenvolver o pensamento crítico com relação à tecnologia, possibilita concretizar ideias e resolver problemas para melhorar a vida das pessoas.

Sempre que reforça a importância da busca pelo conhecimento, a principal mensagem de Camila é: está na hora de quebrar o estereótipo do talento natural do geek. “O pensamento lógico e computacional precisa chegar à casas das pessoas. São habilidades do século XXI, fundamentais para ter a tecnologia como uma aliada e não uma ameaça”, sinaliza.

Conheça mais sobre a Camila no Facebook e Instagram.

Fotos: Dejumatos

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