Conheça Carol Dinelli

17 November 2016

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Reciclando para transformar

"Empoderamento é a junção de pessoas que precisam se fortalecer para um propósito"

A empreendedora amazonense Carol Dinelli sempre trabalhou com software. Em 2015, quando conheceu o marido e sócio Alessandro, decidiu que investiria seu tempo em práticas sustentáveis. Arrecadava computadores usados em empresas para dar aulas de informática e capacitação profissional em comunidades em situação de vulnerabilidade social. Há quatro anos, com mais computadores para descartar do que para ensinar, decidiu abrir a Descarte Correto, uma empresa que contribui para diminuir o impacto de resíduos tecnológicos na Amazônia.

Economia circular

O projeto social surgiu da união de Carol e Alessandro, que era um empreendedor social ativo de Manaus. Inspirada pelo potencial de transformação do trabalho voluntário, ela começou a administrar a ONG e conectar as comunidades, onde atualmente eles organizam oficinas de informática e implementam sistemas de aprendizado que permitem que os alunos continuem aprendendo mesmo na ausência de voluntários. Como é tudo improvisado, as aulas não podem depender da internet, uma vez que algumas famílias mal dispõe de energia elétrica. As salas de aula são igrejas locais, de diferentes religiões.

O modelo de negócios que tem como base a gestão do lixo tecnológico ajuda a Descarte a financiar seu trabalho social. Os computadores destinados para o projeto passam inicialmente por uma triagem. Se for possível consertar, a equipe do Descarte Correto realiza a manutenção. Se o aparelho doado por uma empresa não pode ser consertado, ela paga uma taxa para que o descarte seja realizado sem agredir o meio ambiente. De acordo com a Organização das Nações Unidas, o Brasil deve gerar pelo menos 1 milhão em toneladas de resíduos de notebooks, PCs e celulares. Fios, cobre e metal também são vendidos e reciclados por eles. O sonho de Carol é criar franquias pelo Brasil e replicar seu modelo de negócios.

Para suprir a ausência de voluntários na região, a equipe instala e orienta os alunos a usar cerca de 40 cursos livres Audio-Visual, entre eles, informática básica, secretariado, digitação e web design. Atualmente, sete comunidades têm computadores disponibilizados por eles. Até o fim de 2015, a empresa já tinha reciclado 300 toneladas de lixo eletrônico e recuperado 400 computadores.

“Não damos o peixe. Damos a isca, o anzol e ensinamos a pescar”

Dos sete funcionários da Descarte, cinco são destaques das ações sociais em Manaus. Carol faz questão de que os contratados, que tem carteira assinada, venham da região. Nas comunidades com maior índice de vulnerabilidade e risco social, onde apenas três entre cada oito pessoas têm internet, não há idade para aprender. Alunos de 10 a 70 anos já deram os primeiros passos na área de tecnologia com o projeto.

Em relação à sua trajetória de empreendedora, Carol conta que o maior aprendizado nesse último ano foi perder o medo de ouvir “não”. E o maior segredo descoberto é de que é necessário se preparar para conversar com possíveis investidores. “Busco pesquisar sempre quem vai me atender, aprender sobre a empresa. É um trabalho de formiguinha, cansativo”, diz. Mas que compensa. “Quando encontro alguém que hoje está empregado por causa da nossa inclusão digital, é uma grande recompensa.”

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