Conheça Erika

22 June 2016

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Prazer em programar

"A programação dá o superpoder de botar uma ideia em prática. Mas não importa se é programar, pintar ou bordar. A ideia é encorajar e dar autonomia"

Criadora do Projeto Tutoras, que dá aulas de programação para mulheres, a desenvolvedora Erika Bueno acredita que programar é vital em um mundo cada vez mais tecnológico. Com a proposta de diminuir a distância profissional entre homens e mulheres em áreas profissionais de exatas, cria um ambiente de ensino acolhedor para estimular alunas a se mostrarem além dos códigos.

Quando encontros promovem ideias

Erika brincava com Lego e videogames quando ganhou o primeiro computador, aos 8 anos. Mal a família Bueno sabia, mas os presentes educativos, além da diversão, ajudaram a instigar a curiosidade pelo aprendizado. Não demorou para que nas visitas à biblioteca ela trocasse os livros de fantasia pelos de informática. Aos 12 anos, já dava aulas particulares de matemática na sala de casa. Duas décadas depois, se especializou em Swift e desenvolvimento para mobile, trabalho paralelo ao Tutoras. Enquanto isso, aprender linguagens de programação como Objective-C e PHP mantém a faísca por aprender coisas novas sempre acesa.

Inspirada por comunidades de desenvolvedoras como PyLadies, Django Girls e Rails Girls, todas com abrangência mundial, Erika sentiu que também deveria misturar programação e feminismo. O gatilho veio do evento BEPiD (Brazilian Education Program for iOS Development) realizado na PUC-Rio, em 2016. Foi nele que a desenvolvedora encontrou outras mulheres, com diferentes formações acadêmicas, também interessadas em descobrir mais sobre este universo.

Ativa em comunidades de programação no Facebook, Erika criou a Página e começou a divulgar o projeto há menos de um ano. Em 24 horas, mais de 800 alunas demonstraram interesse em participar da tutoria. Atualmente divididas em duas turmas, o curso oferece apostilas e exercícios de Lógica e Linguagem de Programação. Depois dos primeiros passos, as alunas recebem orientação de uma das tutoras em alguma das linguagens de programação disponíveis como Java, CSS & HTML, Python e Ruby.

“Se as meninas fossem expostas a raciocínio lógico tanto quanto os meninos, teríamos muito mais programadoras e mulheres na tecnologia”  

Em busca de autonomia

Programar desenvolve a pró-atividade, o raciocínio lógico e o autodidatismo. Mas, segundo Erika, ao mesmo tempo que concede o poder de aprender por si só, gera grande frustração quando as estudantes são confrontadas com atitudes depreciativas por parte de programadores do sexo masculino. É o que a empreendedora quer evitar, criando um ambiente seguro para trocar ideias e encorajar as alunas a não deixarem de aprender por causa das dificuldades. Para ela, a falta de estímulos pode criar bloqueios no aprendizado.

Com idades entre 20 e 30 anos e de diferentes áreas, as alunas começam todas no mesmo nível básico. E além do empoderamento e das aulas iniciais, elas também terão assistência com vocabulário técnico e inglês. A proposta futura das Tutoras é acolher também jovens de comunidades carentes do Rio de Janeiro e homens transexuais.

Erika diz que nunca sofreu preconceito diretamente. Mas isso não quer dizer que ela não tenha vivenciado o machismo durante palestras, conversas com outros profissionais e nas histórias das alunas, principalmente iniciantes.

Uma pesquisa recente divulgada pelas universidades da Califórnia e da Carolina do Norte mostra que na comunidade GitHub, uma plataforma com mais de 10 milhões de desenvolvedores, os códigos escritos por mulheres anônimas são melhores avaliados do que os dos homens. Mas quando as programadoras revelam o sexo, a avaliação diminui. “Vejo no setor muitos homens que às vezes nem entendem que estão sendo excludentes, mas estão. Na minha primeira iniciação científica sempre perguntavam: ‘Você está confortável com a ideia de programar?’ E eu pensava: ‘É o que sei fazer!’”.

Conheça mais sobre o Projeto Tutoras no Facebook.

Fotos: Dejumatos

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