Conheça Kamila

14 June 2016

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A capitã hacker do Pará

"Cada viagem é uma experiência única, que nos faz aprender sobre empoderamento, a respeitar os limites, o espaço e o tempo de cada pessoa. O Barco nem é o meu trabalho, é a minha diversão"

Um barco repleto de equipamento eletrônico e especialistas em tecnologia navega em direção às ilhas fluviais próximas a Belém. É o Barco Hacker idealizado por Kamila Brito, a jovem empreendedora que articula o intercâmbio cultural e técnico com a população ribeirinha da região. Em pouco mais de um ano, o projeto recebeu mais de 300 viajantes.

Aula de empreendedorismo hacker

Pergunte à Kamila o que ela faz e prepare-se para uma aula sobre o estilo de vida hacker, relação com a comunidade e empreendedorismo. A jovem fala sempre com um sorriso largo e a firmeza de quem tem a convicção de que está fazendo algo com propósito. Aos 28 anos, a paraense é a força que faz o Barco Hacker navegar. Criado em 2014, o projeto de intercâmbio tecnológico e cultural vem conectando Belém e pequenas ilhas próximas, estimulando o desenvolvimento da região a partir da valorização das pessoas que vivem, literalmente, na margem.

Formada em administração, Kamila sempre buscou soluções não convencionais para problemas reais. Fundou a Casa da Cultura Digital do Pará, que concentrava os papéis de espaço cultural e polo aglutinador de consultoria e soluções em tecnologia da informação. Hoje extinta, a Casa foi importante para fazer os contatos e articular conceitos que dariam origem ao Barco Hacker.

Soluções colaborativas para problemas reais

O projeto surgiu a partir da ideia de “hackear” o barco, usando-o para outro fim que não o transporte e a pesca. A cada edição, Kamila define um tema e reúne um time de voluntários, parceiros e fornecedores que tenham afinidade com o assunto. O grupo então embarca para um dia de palestras, workshops ou visitas a comunidades.

As atividades do Barco começam antes da expedição, com a preparação de trilhas nas ilhas, parceria com os ribeirinhos para definir a programação de acordo com suas demandas e com universidades para identificação de espécies nativas disponíveis nas propriedades, por exemplo. O Barco já foi palco de um Startup Weekend que deu origem a pequenos empreendimentos, de uma oficina sobre transparência de dados públicos, revelou a nova trilha do cacau da Amazônia e, graças à tecnologias de geolocalização, colocou no mapa ilhas que estão fora da rota comercial de navegação. É assim que o projeto promove trocas culturais, networking entre ribeirinhos e empresários locais, ações de cidadania e desenvolvimento de tecnologia social por meio de ações colaborativas, tendo o rio como fluxo de integração social entre comunidades.

A cada expedição do barco, Kamila precisa também conciliar a agenda com a rotina das comunidades, com as chuvas e a maré do rio, que sobe todos os dias, alagando a margem.

“Depois de tantas viagens, adquirimos experiência de como fazer as coisas acontecerem diante dos imprevistos. Essa capacidade só se aprende quando está com os pés na lama, às vezes até burlando algumas regras. É um conhecimento que não está em nenhum manual”.

Conteúdo livre

Com DNA digital, o Barco Hacker se conecta com as pessoas e aparece para o mundo pela internet. A página no Facebook é o principal canal de divulgação das atividades e de contato. É por ela que Kamila divulga as edições do projeto e recebe cerca de 80% das inscrições, cujo valor ajuda a cobrir os custos da viagem. Por lá também chegam convites para palestras e contatos de especialistas que querem participar das expedições. Além de todo tipo de gente curiosa para participar de uma experiência de networking bastante peculiar navegando por um rio amazônico.

O espírito colaborativo que move o Barco também é o que alimenta o site oficial e a página do projeto no Facebook. Maior parte do conteúdo de registro das viagens disponibilizado online são fotos, vídeos e textos gerados por quem participou do projeto. Tudo isso é cedido gentilmente para estimular a troca e produção de conhecimento em torno dos temas explorados a cada viagem do Barco.

Navegando para o futuro

A cada edição do projeto, a jovem empreendedora busca parcerias com empresas ou associações e entidades para reunir recursos e voluntários. Nessa busca, muitas vezes esbarra no preconceito. “Às vezes tenho dificuldade para ser levada a sério por algum possível parceiro ou autoridade. Pelo fato de ser jovem, por ser mulher. Mas insistir no contato, falar do projeto com propriedade, mostrando do que somos capazes, isso faz conquistar confiança”.

Kamila agora busca apoio para tornar a agenda do Barco Hacker mais constante e diversificar os temas das expedições. Este ano, ela pretende realizar levar o projeto para além do Pará, circulando em outros estados. No Rio de Janeiro e Espírito Santo, por exemplo, a empreendedora pretende fazer parcerias com laboratórios colaborativos de experimentação e difusão de tecnologia digital, chamados hackerspaces. Ela espera conseguir apoio para oferecer oficinas de metarreciclagem, que parte do princípio de reutilização de equipamentos e apropriação da tecnologia para a transformação social.

“O Barco Hacker é feito por pessoas, para pessoas. É para quem gosta do desafio, quer ir lá e fazer. Se conseguirmos o apoio necessário, vamos levar o barco para outras águas pelo país”.

Saiba mais sobre o Barco Hacker no Facebook.

Fotos: Dejumatos

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