Conheça Luena

18 June 2016

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Guerreira do mar

"É importante levar educação e capacitação para o pescador artesanal e para seus filhos. Nós protegemos o mar e nosso maior patrimônio, o pescado."

À frente da Associação dos Pescadores Indígenas Pataxós de Coroa Vermelha, no extremo sul da Bahia, a índia Luena Maria utiliza smartphones, GPS e computadores para cuidar da gestão financeira da pesca artesanal e melhorar as condições de trabalho na comunidade onde vive.

Liderança feminina

Em uma família indígena, pela tradição os homens vão trabalhar fora para trazer o sustento e as mulheres ficam em casa, cuidando dos alimentos e das crianças. Nascida em meio a cinco irmãos, a pataxó Luena Maria tinha um pensamento diferente desde pequena. Ela convivia com o mar e ficava prestando atenção nos afazeres do pai e dos tios pescadores todos os dias. Aos 13 anos, contrariando a vontade do pai, começou a trilhar seu caminho de independência trabalhando em lojas e restaurantes da região.

Luena vive em uma comunidade que gira em torno da pesca artesanal. Casou-se aos 20 anos e tornou-se parceira do marido, pescador de camarão. Eles iam para o mar e ela era responsável por administrar tudo que envolvia a pesca. A jovem liderava um grupo de mulheres que limpava o camarão, fazia vendas, entregas e pagamentos. Ao mesmo tempo, Luena cuidava das duas filhas do casal.

Tecnologia e aprendizado

Em 2008, o Ministério da Pesca e a CAR – Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional da Bahia instalaram uma unidade de beneficiamento na região, mas sem freezer para armazenar o pescado, era subutilizada. Dessa forma, o antigo presidente da associação de pescadores levava peixes e outros frutos do mar para tratar e armazenar em casa. Até que em 2010, ONGs e a prefeitura se mobilizaram e criaram um projeto de modernização que trouxe equipamentos eletrônicos e de pesca para beneficiar a comunidade pesqueira e profissionalizar a produção.

Nessa época, aos 23 anos, Luena ficou viúva. Para sustentar a família sozinha, buscou se aperfeiçoar naquilo que já fazia bem: administrar a pesca. Buscou orientação dos técnicos responsáveis pela implantação do projeto e mergulhou nos estudos sobre manejo de peixes, contabilidade, administração, empreendedorismo e tecnologia.

“Sempre tive boa cabeça para números, mas antes fazia tudo com bloco de papel e caneta. Hoje sou apaixonada por planilhas”, conta. Luena passou por mais de dez cursos de capacitação e foi escolhida para assumir a gerência da associação de pescadores. Hoje ela usa aparelhos de GPS, smartphones, tablets e computadores para fazer seu trabalho. Consegue manter contato com os pescadores em alto mar, acompanhar em tempo real a oferta e a oscilação dos preços em várias épocas, organizar entradas e despesas, e ter informações sobre a previsão do tempo na costa.

Pela aldeia

A Associação de Pescadores dirigida por Luena tem 150 associados, que produzem em média 1,5 tonelada de pescado por mês, contando apenas com uma ou duas embarcações que passam 15 dias no mar. Os principais compradores são hotéis e pousadas da região, além de restaurantes e barracas de praia. Com as ferramentas digitais para otimizar a gestão, a empreendedora passou a fazer de tudo para dobrar os números, aumentando a produtividade e rendimento para os associados.

Luena, que também representa a comunidade de pesca artesanal da região perante autoridades e outras organizações, conquistou o troféu bronze no Prêmio SEBRAE Mulher de Negócios em 2014, na categoria Produtora Rural. De acordo com ela, isso trouxe mais visibilidade para seu trabalho na mídia e nas universidades. O que também ajudou a conquistar benefícios para seus companheiros pescadores como apoio para compra de material e capacitação, auxílio financeiro durante o período reprodutivo do camarão e direito à aposentadoria.

“Eu visto a camisa da pesca e penso no coletivo. Quando vejo que alguém conseguiu comprar material, uma canoa nova ou um freezer, me sinto realizada”.

A família da empreendedora também é fonte de apoio e motivação para que ela possa encarar seus desafios. Ela conta com o atual companheiro, pai de sua terceira filha, para cuidar da vida doméstica. Apesar da rotina atribulada, Luena acredita que sua iniciativa serve de exemplo para suas crianças e outras mulheres da comunidade conquistarem seus sonhos e autonomia. “Nós somos capazes de fazer o que quisermos. Com meu trabalho, construí minha casa e posso fazer as coisas do meu jeito”, conclui.

Saiba mais sobre a Luena no Facebook.

Fotos: Dejumatos

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