Conheça Panmela

06 October 2016

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Arte Urbana feminista

"Com o feminismo, a minha cabeça mudou e transformou completamente a forma como eu fazia as coisas"

A artista carioca Panmela Castro, de 35 anos, percebeu cedo que não recebia o mesmo treinamento para a vida que os “irmãos” da comunidade. A criação rígida fez com que ela passasse parte da adolescência em casa, enquanto os meninos brincavam na rua. Na pichação, ela encontrou uma forma de socializar e se mostrar ao mundo. Depois do primeiro pixo, aos 20 anos, não parou mais. Se formou Bacharel em Pintura pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro e é mestre em Arte Contemporânea pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Com obras grafitadas em mais de 25 cidades pelo mundo, ganhou prêmios dentro e fora do Brasil, além de ter sido reconhecida pela revista Newsweek como uma das 150 mulheres que estão abalando o mundo.

Criando diálogos com a arte de rua

Uma das conversas mais difíceis que Panmela teve no início da carreira foi em casa, quando a mãe descobriu que ela estava sendo perseguida por policiais. Na época, ela pichava muros assinando como Anarkia Boladona, e conta que não via perspectiva nenhuma na vida, tinha apenas a pichação como motivação, o que ajudou a fazer amizades.

Hoje, em um dos projetos que criou, ela deixa mensagens no muro para a mãe, dona Elizabeth, que até já saiu com a filha para pintar muros. Panmela também se casou cedo e se separou depois de um relacionamento abusivo. Todas essas experiências foram transformadas em diferentes formatos de arte em quase 15 anos de carreira.

Em 2008, ela criou o “Grafiteiras pela Lei Maria da Penha”, que reuniu mulheres com o intuito de relatar e combater o abuso contra a mulher. A cultura de rua, como o grafite e o hip-hop, ajudou que ela se empoderasse e aos poucos enxergasse a necessidade do feminismo no dia a dia. Os diálogos também foram amplificados. Além dos muros, a artista lidera uma ONG, a rede Nami, que desde 2010 coordena programas de arte e feminismo jovens da periferia.

Tempo de desconstrução

Para ela, a principal dificuldade da carreira foi se entregar a um estado de desconstrução constante, deixar de seguir velhos padrões e se abrir para o aprendizado. Foi assim que ela percebeu que podia buscar autonomia. “Como mulher posso ter soberania sobre os meus desejos e acabo transformando essa reflexão na minha obra. Faço como uma caricatura e começo a provocar essas reflexões, criar essa convivência com o espaço urbano”, diz.

“A maior dificuldade sempre foi o olhar do outro. Me desconstruir, me aceitar, me entender, tudo foi íntimo. Mas isso é aflorado pela forma que o outro te olha e te aceita”

Com mais de 100 oficinas em cinco anos de existência, a rede Nami leva o processo de autoconhecimento relacionado à arte para outras mulheres. Nas três horas que as jovens de comunidades cariocas passam com Panmela, além de aprender técnicas artísticas e como usar o spray, a ideia é provocar um despertar para o protagonismo. “Temos programas para formar grafiteiras e outros em que o graffiti é apenas um meio”, explica a artista, que coordena os projetos, sem perder o foco de sua própria produção. A ideia é também criar um grupo mais avançado para formar lideranças afro e estimular um ambiente para que essas mulheres, assim como Panmela, se descubram como personagens principais das próprias histórias.

Saiba mais sobre a Panmela no Facebook e Instagram.

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