Conheça Patrícia

16 June 2016

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Caçadora de histórias

"Se existem pessoas vivendo em lugares considerados tão hostis, o mínimo que posso fazer é ir lá, ouvi-las e fazer o mundo conhecer suas histórias."

Como repórter especial, Patrícia Campos Mello viaja para lugares de onde a maioria das pessoas tenta fugir. Ela cobre temas como direitos humanos, política e economia internacional, e mostra a realidade de quem vive precariamente em zonas de conflito, como na Síria e em Serra Leoa. Seu trabalho é prova de que não existem fronteiras para uma mulher no cumprimento de sua missão.

Perguntar sem medo

Patrícia é jornalista desde os 18 anos. Cursava a graduação na Escola de Comunicação e Artes da USP quando começou a estagiar na editoria de cidades no Jornal da Tarde, em São Paulo. Para ela, essa foi sua grande escola de reportagem, onde cobriu desde buracos na rua até casos de polícia.

Em 2001, quando fazia mestrado em Business and Economic Reporting com uma bolsa da Universidade de Nova York, fez sua primeira grande cobertura internacional. Patrícia morava perto do World Trade Center quando ocorreram os atentados do 11 de setembro. Sua reação foi partir para a rua e entrevistar as pessoas para registrar o que estava acontecendo, mesmo que não estivesse trabalhando em um jornal na época.

Além de cobrir histórias de brasileiros que presenciaram a tragédia, a situação de uma família de muçulmanos a sensibilizou. “Eles montaram um hospital improvisado em sua lanchonete para socorrer várias vítimas no dia dos ataques”, conta. “Na semana seguinte, essa mesma família passou a ser agredida com xingamentos e cusparadas nas ruas de Nova York. Por causa de sua aparência, passaram a ser associados ao terrorismo”, diz. Esse foi seu primeiro contato com consequências de conflitos internacionais na vida das pessoas.

Carreira Internacional

Antes de se tornar repórter especial da Folha de S. Paulo, Patrícia passou pelas redações dos jornais Valor Econômico, Gazeta Mercantil e O Estado de S. Paulo. Morou por quatro anos em Washington (EUA) como correspondente e viajou com soldados americanos para o Afeganistão. Ela acumula passagem por quase 50 países, em sua maioria flagelados por guerras e doenças.

Romper fronteiras é parte de sua rotina: foi a primeira jornalista brasileira a cobrir a epidemia de Ebola em Serra Leoa, em 2014 e 2015, e a entrevistar um comandante do Estado Islâmico na Síria este ano.

Um dos países em que Patrícia esteve diversas vezes foi a Índia. Suas viagens se transformaram no livro Índia: da miséria à potência, lançado em 2008 pela Editora Planeta. Ela esteve de novo no país para cobrir a repercussão do estupro coletivo e assassinato de uma jovem, em 2013.

Seu próximo lançamento será Lua de mel em Kobani, com publicação prevista pela Companhia das Letras. Neste livro-reportagem, ela conta a história da guerra contra o Estado Islâmico na Síria através da saga de um casal de refugiados.

Patrícia produz conteúdo multiplataforma para a Folha – escreve textos para o impresso e para o site do jornal, e também produz reportagens em vídeo.

Vantagens de ser mulher

“Sendo mulher, tenho várias limitações impostas a mim. Por outro lado, tenho acesso à outra metade do mundo, a que os homens não têm acesso ou não se interessam”.

Patrícia acredita que na cobertura de uma pauta, as repórteres costumam ter maior capacidade de empatia com relação às fontes do que seus colegas do sexo masculino. “Conseguir se colocar no lugar do outro ajuda na hora de apurar e de escrever”, diz. Ela faz questão de mostrar a situação específica das mulheres nos cenários que visita.

No começo deste ano, a repórter foi até cidades no interior do Nordeste para retratar a condição das mães de crianças que nasceram com microcefalia. “Ser correspondente internacional tem um certo glamour profissional, mas dentro do Brasil existem realidades muito duras. Elas também precisam ser mostradas”, afirma.

Mãe de Manuel, de quatro anos, Patrícia se considera hoje ainda mais sensível a acontecimentos que envolvem crianças. “Ao me tornar mãe, passei a pensar mais nos riscos quando busco uma nova reportagem”, conta. Ao mesmo tempo, acredita que voltar para casa com o dever cumprido tem ainda mais um motivo de orgulho.

Para ela, ter iniciativa e nunca aceitar um “não” como resposta são diferenciais na carreira de qualquer mulher. “Minha coragem vem quando foco completamente no meu objetivo nos lugares onde vou”, diz. “Antes de ir, faço todo um arranjo familiar para deixar meu filho bem. Somente quando volto dessas viagens, sinto a ressaca emocional de tudo que presenciei”. O trabalho de Patrícia já foi reconhecido com os Prêmios Folha e Estado. Este ano, venceu a 11ª edição do Troféu Mulher IMPRENSA, categoria Repórter de Jornal.

Saiba mais sobre Patrícia no Facebook.

Fotos: Dejumatos

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