Conheça Priscila

08 May 2017

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Celebrando a diversidade

"Através de exemplos você acredita que também pode chegar lá. É sobre representatividade. Eu procurei ser essa pessoa, exemplo, com pequenas atitudes"

Tudo começou com um grupo no Facebook. Aos poucos Priscila venceu seus medos, ajudou outras pessoas a vencerem os seus, e criou um importante espaço online de informação e acolhimento para pessoas LGBT. Priscila Transferetti é dona da Backstage, produtora de eventos que celebram a diversidade. Com quase 150 produções no currículo, que receberam mais de 80 mil pessoas, a produtora já movimentou R$ 3.5 milhões em apenas cinco anos.

Com muito orgulho

Priscila sempre foi uma pessoa à frente do seu tempo. Nascida em Monte Mor, cidade vizinha a Campinas com pouco menos de 50 mil habitantes, nunca se encaixou nas expectativas que criaram para ela. Em 2002, aos 16 anos, apresentou aos pais a primeira namorada. “Eu resolvi me assumir para a família e para o colégio. E a reação das pessoas foi péssima, até quem se dizia meu amigo se afastou e virou as costas para mim. A minha família tinha medo que eu não fosse aceita em ‘bons’ grupos sociais”, conta Priscila. Terminar o Ensino Médio foi desafiador, e a ideia de passar pelo mesmo tipo de situação na faculdade fez a jovem desistir de continuar no Brasil. Aos 18 anos ela embarcou para a Europa, onde viveu por seis anos, para cursar Administração na European Business School.

Quando decidiu voltar ao Brasil, em 2008, logo foi chamada para trabalhar em uma empresa de consultoria corporativa. Ela era a única da equipe que não podia compartilhar nada sobre a vida pessoal com os colegas na hora do café. “As pessoas viviam comentando com quem estavam ficando, ou quem estavam namorando, ou o quê estavam sentindo. Eu nunca podia falar abertamente sobre quem eu era e o que fazia, porque prejudicaria o meu trabalho e o meu relacionamento com os meus colegas”, diz Priscila. Por mais realizada que estive na profissão, a produtora não se sentia feliz em um ambiente onde não podia se expressar.

Priscila encontrou uma solução temporária para essa angústia na internet, quando criou um grupo no Facebook, o WHI, sigla para What Happens In (que significa O Que Acontece Em), em referência a Las Vegas e ao sigilo das informações que eram trocadas por lá. A ideia da jovem era reunir amigos e pessoas conhecidas em um espaço livre de julgamentos, onde ela pudesse se expressar e compartilhar experiências com pessoas que pensassem igual a ela. “Criei esse grupo porque, como todas as outras pessoas, eu também queria postar foto no Facebook com minha namorada, queria falar sobre coisas que eu sabia que eram inaceitáveis no meu ambiente de trabalho”, explica Priscila. O grupo, que era secreto, atingiu 2 mil convidados. Os participantes se tornaram quase uma família, e levaram a convivência também para fora do espaço virtual. Priscila combinava encontros, festas e eventos. Antes que se desse conta, estava organizando eventos para mais de mil pessoas.

Espaço de acolhida

Em 2012, Priscila decidiu deixar para trás a carreira corporativa e abriu a produtora Backstage em sociedade com duas amigas, Eleonora Branco e Maithê Castilho. A empresa produz eventos que celebram a diversidade, sejam festas públicas ou eventos corporativos. Elas também prestam consultorias para outras produtoras que queiram transformar suas festas em espaços mais acolhedores para mulheres e pessoas LGBT.

Mais de 80% das pessoas que trabalham na Backstage, sejam contratados, freelancers ou fornecedores, são mulheres. Em cinco anos de história, a empresa já promoveu quase 150 eventos, públicos e privados. Mais de 80 mil pessoas comparecerem a esses eventos, que geraram uma receita de R$3.5 milhões. O “Baile das Marinheiras” e a festa “Eu Vou Chamar o Síndico”, ambas em São Paulo, são os dois maiores sucessos da casa.

A preocupação de empresas e produtoras de eventos tradicionais em melhorar o atendimento ao público LGBT é sinal de que a luta pela igualdade de direitos e por respeito vem dando resultados. Priscila acredita que as redes sociais são uma ferramenta empoderadora, que ajudam a mudar a maneira como as pessoas se posicionam. “Antes do Facebook tudo era muito silenciado. As festas aconteciam, essas coisas (maus-tratos ou agressões) aconteciam, e as pessoas ficavam caladas. Hoje em dia uma pessoa escreve um texto, divulga, e a exposição é muito maior. Isso faz com que as produtoras e equipes tenham que se preparar, profissionalizar e se adequar às novas realidades”, diz a empresária.

A visão de Priscila se reflete nas mudanças que acontecem em grandes corporações em todo o mundo. Hoje, cargos importantes são ocupados por mulheres que quebram barreiras falando sobre ser LGBT no espaço de trabalho. Para a produtora, essa atitude é um incentivo às gerações mais jovens, que, tendo essas mulheres como exemplo, podem escolher serem quem quiserem, independentemente de gênero ou orientação sexual.

Trabalhar com as jovens é essencial para garantir que essa transformação seja estrutural. Por isso, um dos trabalhos que Priscila realiza com carinho é a produção de eventos universitários em parceria com os grupos LGBTs das maiores faculdades de São Paulo. “Quando eu tinha 17 anos decidi fazer faculdade fora do país porque sentia uma rejeição muito forte no Brasil. Hoje, eu trabalho com os coletivos das maiores Universidades, com grandes empresas, lidero diversas festas e iniciativas que criam espaços de diversão e seguros para pessoas LGBTs. Com isso, acredito que crio uma realidade diferente da que eu tive, e ajudo essas pessoas a alcançarem suas próprias conquistas” celebra a produtora.

Saiba mais sobre a Backstage no Facebook.

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