Conheça Terezinha

02 August 2016

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Além do pódio

"Todos temos deficiências, a diferença é que com deficientes elas são mais aparentes. Mas podemos fazer tudo"

A mineira Terezinha Guilhermina aprendeu a correr na escola. Sofria bullying de uma colega de classe e descobriu que para não apanhar, precisaria ser tão rápida quanto pudesse. A corrida salvou não só a pele dela de encrenca, mas construiu o caminho que a tornaria a maior velocista cega do mundo pelo Guinness Records, com seis medalhas paralímpicas, sendo três de ouro. Correndo na categoria T-11, destinada a atletas que tem visão desprezível ou nenhuma visão, já teve como guia o recordista jamaicano Usain Bolt.

A largada para o sucesso

Nada na vida de Terezinha veio fácil e ela aprendeu cedo que enfrentaria obstáculos desafiadores para conquistar o que queria. O primeiro deles surgiu na escola, onde ela percebeu que não conseguia ler, escrever e brincar como as outras crianças. Foi diagnosticada apenas aos 16 anos, quando descobriu que nasceu com perda de visão superior a 95%, com retinose pigmentar, doença congênita, sem cura, que degenera a retina e progride para a cegueira. Na família da atleta, cinco dos onze irmãos também possuem deficiência visual.

Sem a presença da mãe, que morreu quando ela tinha dez anos, Terezinha também lidava com as condições humildes da família no dia a dia. Muitas vezes as sobras de merenda da escola eram o único alimento disponível para o almoço. Hoje, ela conta cada dificuldade com orgulho da própria trajetória. As lembranças representam o quão longe uma menina de Betim conseguiu chegar.

Na hora de escolher uma formação acadêmica, Terezinha optou pela administração. E mesmo com o diploma, não conseguiu boas oportunidades para trabalhar na área. Sempre quis correr profissionalmente, mas não tinha dinheiro para comprar um tênis, por isso a história com o esporte começou com a natação, já que ela tinha um maiô guardado no armário. A ajuda da irmã Evânia foi fundamental. Presenteada com um tênis adequado para o esporte, nada mais segurou a atleta.

“Com a corrida descobri uma porta aberta”

Nos primeiros cinco anos da carreira, a velocista foi além do que imaginava possível. Treinou mais do que o corpo aguentava, sem patrocínio, e testou os próprios limites. A primeira corrida que ganhou tinha 5km e os prêmios eram de R$ 100 e R$ 80 para o primeiro e segundo lugar, respectivamente. “Ganhei o segundo lugar e achei que estava milionária, nunca tinha colocado a mão em tanto dinheiro. Meu sonho na época era tomar o iogurte de uma marca. Comprei e passei a acreditar na corrida como caminho para conseguir tudo o que queria”, diz.

Dois anos depois, em 2004, de venda colorida e sorriso no rosto, Terezinha competia nos Jogos Paralímpicos em Atenas, onde subiu ao pódio mundial pela primeira vez para receber a medalha de bronze dos 800 metros rasos. Com o dinheiro do ouro em Pequim, quatro anos depois, comprou um imóvel próprio para o pai, o maior incentivador da carreira dela, que ainda morava em uma casa de taipa. “Ele sempre me fez acreditar que valeria a pena, foi o meu maior exemplo para não desistir”, diz.

Mais desafios e a chegada ao pódio
A atleta ainda superou um grande desafio da carreira nos Jogos Paralímpicos de Londres, em 2012, quando o guia sentiu a perna e ela perdeu uma das provas mais importantes da competição. Isso não impediu que ela quebrasse um recorde no mesmo mundial. Na disputa, ela atingiu o objetivo de ser a melhor do mundo no que fazia, a última conquista que seu pai veria em vida.

Para a velocista, a competição é muito mais do que chegar ao pódio. Com todas as conquistas, aos 37 anos, não pensa em aposentadoria. Treinando para os jogos do Rio 2016, já mira em Tóquio, em 2020, quando terá 41 anos. Até lá, capacita jovens atletas com deficiência e dificuldades socioeconômicas no instituto que leva seu nome, criado para mostrar que qualquer um tem a capacidade de realizar sonhos.

Saiba mais sobre Terezinha no Facebook e Instagram.

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