Ana Laura Castro e Camila Conti
São Paulo

Conheça Ana Laura e Camila

Maternidade como Locomotiva
Ana Laura Castro e Camila Conti
São Paulo
Mulheres querem aprender umas com as outras. A empatia está criando uma economia paralela e colaborativa

Quando se tornaram mães, Ana Laura Castro e Camila Conti criaram o projeto Maternativa para suprir a necessidade de trabalhar sem abrir mão de viver intensamente a maternidade. Hoje elas contribuem para que outras 8 mil mulheres possam fazer o mesmo, movimentando a economia com suas empresas maternas.

 Grávidas de ideias

 A pedagoga Ana Laura e a designer Camila já eram amigas quando descobriram que estavam grávidas na mesma época, em 2013. Escolhas em comum, como o parto humanizado, as tornaram ainda mais próximas. E as conversas sobre como conciliar a rotina do mercado de trabalho com a família deram origem ao Maternativa, que começou com um grupo no Facebook. “Nos perguntávamos como ganhar dinheiro sem abrir mão do que aprendemos com a gravidez e decidimos chamar outras mulheres para pensarmos juntas sobre isso”, conta Camila.

A rede começou de fato em junho de 2015. Elas entraram em contato com mulheres que, assim como elas, acreditam que, quando mães e pais conseguem conciliar um trabalho que permita participar da criação dos filhos, isso tem um impacto social positivo. O que inicialmente era um grupo de amigas que chamavam outras amigas, em apenas um mês reunia 600 mulheres. O projeto começou a crescer de uma forma inesperada e, em menos de um ano, já conta com 9 mil mulheres de várias partes do Brasil.

Entre os debates e aprendizado, as “maternas”, como se chamam, começaram a trocar produtos e serviços. Assim, passaram a movimentar uma economia própria com o consumo entre elas.As idealizadoras do Maternativa criaram, então, um site para indexar e divulgar essas empresas de mães, a fim de que outras pessoas pudessem ter acesso a essa produção, e ampliaram a clientela para além do grupo fechado. O cadastro no indexador é gratuito e tem mais de 1.000 empresas. As mães utilizam também o Instagram do projeto para divulgar os trabalhos das maternas com um apelo mais visual e foco em vendas.

Aprendizado

À medida que foi crescendo, o Maternativa passou a desenvolver mais atividades para trazer informação relevante para as mães que optam por empreender. Assim, começaram a promover encontros presenciais com a participação de especialistas para formação e troca de informações sobre negócios e empreendedorismo. Um dos diferenciais dos eventos é que as crianças são bem-vindas, pois toda a rede compreende a necessidade.

Para compartilhar e complementar o conhecimento adquirido, as participantes do Maternativa alimentam o blog do projeto com conteúdo original criado pelas mães sobre temas como economia, política, feminismo e maternidade. A rede conta também com um canal de vídeos com dicas que vão de marketing digital até finanças, e registro dos encontros. Isso amplia o alcance das informações para as mulheres que não têm oportunidade de participar da rede presencialmente.

A expertise adquirida por Ana Laura e Camila ao longo de todo processo possibilitou que elas oferecessem consultoria para pequenas e médias empresas sobre como lidar com as mulheres no retorno de suas licenças-maternidade. Atualmente, segundo elas, essa tem sido a principal fonte de novos recursos para elas e para o próprio Maternativa.

“A decisão não é fácil. Como empreendedora você ganha um pouco menos no começo, mas ganha em qualidade de vida, em estar próxima dos filhos, em fazer aquilo que importa para você.”

Financiamento e Manutenção

No primeiro trimestre deste ano, o Maternativa lançou uma campanha de financiamento coletivo que atingiu 110% da meta de arrecadação. Para elas, essa conquista teve também valor simbólico, pois mostrou que é possível rentabilizar um projeto com o apoio de quem se beneficia dele. Atualmente, todas as atividades e custos operacionais são mantidos com esses recursos, além do trabalho de consultoria e contribuições voluntárias das mulheres que participam das atividades. “Conseguimos contratar duas maternas para nos apoiar no gerenciamento e temos condições de remunerar todas as profissionais que nos apoiam nos encontros presenciais”, explica Camila.

O principal aprendizado que as empreendedoras tiveram com o Maternativa foi desconstruir a crença de que é preciso ter dinheiro para empreender. Embora ainda tenham pouco lucro com o negócio, Ana Laura e Camila afirmam ser suficiente para que ambas continuem se dedicando de forma integral ao projeto, sem outros trabalhos paralelos. “Pensamos que, no futuro, o Maternativa será mais do que um espaço para falar de empreendedorismo. Queremos reforçar o posicionamento de debate e reflexão para falar sobre questões múltiplas do universo feminino e do trabalho. Também estamos reformulando nosso site que, em breve, será um portal mais abrangente e completo”, antecipa Camila.

Fotos: Dejumatos

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