Ana Mattioni

Ana Mattioni

Mad Woman
Ana Mattioni
O nosso mercado de trabalho é muito machista. Ou você sai, ou você enfrenta, ou você aceita. Eu não quis sair, eu gosto de fazer isso.

Desde pequena, Ana Mattioni foi muito questionadora. Na família, teve pouco espaço para discutir o mundo ao seu redor. Foi a experiência na faculdade de Cinema na Argentina, a entrada no mercado de trabalho como redatora em agências de publicidade e o nascimento da filha que fizeram Ana pensar mais sobre como as mulheres eram vistas na sociedade e na publicidade.

Em um grupo de amigas surgiu a ideia de criar uma plataforma para conversar sobre as principais questões das mulheres criativas da publicidade. “Sabe aquele dia que você não está fazendo nada e só se retroalimenta de qualquer besteira? Foi isso”, conta a redatora.

Em 2016 nasceu o Mad Women, um grupo no Facebook criado por ela e uma amiga. A rede tem mais de 5.000 mulheres: redatoras, designers, planejadoras, diretoras de arte. O nome é uma brincadeira inspirada na série Mad Men, que retratava grandes nomes da publicidade nas décadas de 50 e 60 em Nova York.

O que motivou Ana e sua amiga a criarem o grupo só ficou mais claro com as interações. “Quando nós percebemos que debatíamos sobre coisas sérias num espaço que juntasse as mulheres para falar sobre o  nosso mercado, das nossas condições de trabalho e do quanto a gente estava precisando desabafar sobre isso, aquilo foi um respiro pra muita gente. Até hoje é”.

Além de mulheres com experiências de todas as áreas da publicidade, o Mad Women também acolhe diferentes níveis de experiência: lideranças, CEOs, estudantes, estagiárias. Esta rede de diálogo sobre a realidade das mulheres na publicidade é um canal de oportunidades.

Algumas vagas de emprego são exclusivas do grupo e muita gente consegue trabalhos fixos ou temporários por lá. “Eu fico muito feliz quando vejo qualquer coisa que aconteça fora do grupo que seja por causa dele. Esse reconhecimento é o que me paga”, explica Ana.

Se pra quem está dentro a rede acolhe e impulsiona o contato com mulheres do mercado, o que o Mad Women consegue fazer na publicidade contribui com a trajetória de muito mais mulheres além das mais de 5.000 que estão no grupo. Para a publicitária, “o mercado começou a se movimentar porque nós começamos a nos movimentar”.

As discussões vão de relatos pessoais sobre o dia a dia de trabalho até como a publicidade brasileira é representada. “Por que tem pouca mulher? Por que nas fotos de prêmios só tem homem? Por que os jurados são só homens? Homens brancos. Quando aparece uma mulher é uma, e é uma mulher branca”.

A força coletiva das mulheres do Mad Women fez a campanha Meu Corpo Não é Público viralizar no Brasil. O grupo tem regras para manter os debates no campo da publicidade, mas a indignação das participantes tomou conta do Mad Women quando um juiz não considerou constrangimento ou qualquer tipo de violência o caso de uma mulher que foi importunada por uma ejaculação no transporte público em 2017.

Ana percebeu que era necessário fazer alguma coisa, assim como as mulheres que estavam no grupo. “O nosso lance é a propaganda, a gente sabe fazer comunicação, como é que a gente pode usar a comunicação para chamar atenção das pessoas?”, questionou na época. Várias profissionais do grupo colaboraram com um pouco do seu talento para a campanha Meu Corpo Não é Público, criando cartazes e materiais para as redes sociais. “Foram milhões e milhões de impactos. Era o objetivo, mas nunca pensamos que fosse chegar a esse nível”.

O Mad Women tem algumas atividades de mentoria e começou um projeto de lives com mulheres do mercado. A ideia é fomentar a discussão entre as participantes sobre o seu papel e trabalho da publicidade.

Para o futuro, Ana Mattioni quer fortalecer a voz do Mad Women e das mulheres publicitárias  fora do mundo virtual, com parcerias em meios de comunicação, e levar a visão das mulheres para as premiações, júris, festivais e os espaços mais importantes da publicidade.

Conheça Ana Mattioni

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