Helen Salomão

Conheça Helen

Helen Salomão
Cada um é protagonista das suas próprias histórias.

Artivista. É assim que a baiana Helen Salomão se define. No seu trabalho com fotografia, ela também imprime suas ideias. Hoje responsável por projetos como Casa Corpo Pele Parede e Periferia Sem Sangue, ela conta que, por meio da arte, descobriu que podia dialogar não somente sobre suas inquietações, mas também sobre as de outras pessoas. “Cada uma sendo protagonista das suas próprias histórias”, gosta de ressaltar. Por isso, hoje a missão de Helen é dar protagonismo e melhorar a autoestima de outras pessoas por meio de suas lentes.

Por muito tempo, ela ignorou seus talentos em busca de outra função, já que a arte era algo muito distante para ela e sua família. “Nós não tínhamos muita referência do que era ser artista. Eu ouvia que aquilo não era pra mim e que eu tinha a missão de crescer e levar progresso para minha casa”, lembra.

Como a própria Helen define, sempre foi “inquieta, questionadora, com vontade de fazer justiça”. Por isso, tentou por um tempo uma carreira no Direito, trabalhando na área como jovem aprendiz. O plano não durou muito tempo, pois a veia artística sempre falava mais alto. Ainda no início da carreira Helen comprou uma câmera fotográfica.

Ela ainda não tinha ideia de que aquele seria seu instrumento de trabalho: “naquele ponto, decidi que queria uma profissão que fosse me fazer feliz e decidi cursar design. Eu queria algo que me aproximasse da arte”, conta.

Mais uma vez, aquela ainda não era a profissão do coração de Helen. “Tive que estudar sozinha, pois não tinha condições de pagar um curso, justamente por já estar pagando a máquina [fotográfica]”, conta. Como fazer, então? Comprar mais equipamentos e aprimorar seu trabalho? Essa possibilidade era ainda menor por causa dos preços. Assim, Helen seguiu com trabalhos autorais e fotografando de maneira despretensiosa. Logo, os frutos de seu trabalho independente começaram a chegar.

O projeto Gorda Preta foi criado para que a fotógrafa pudesse levar representatividade à sua mãe. Já nesse trabalho, ela definiu que o olhar e a linguagem de suas fotos não discutiria autoestima e negritude por meio da dor, da tragédia ou da miséria, como a mídia tradicional costuma fazer. Ela queria fazer o oposto. “Eu percebia como as palavras ‘gorda’ e ‘preta’ chegavam para ela de maneira pejorativa e a machucavam. Nesse projeto, também pude trabalhar os diferentes tons da pele negra”, diz.

Quando as fotos do projeto começaram a ser compartilhadas no Facebook em 2014, as ofertas de trabalho começaram a chegar. “Como eu estava fotografando de maneira despretensiosa, queria mostrar meu trabalho de maneira despretensiosa também. Então, por que não em uma rede social?”, explica. Hoje o Facebook e o Instagram são as principais plataformas de Helen para conquistar clientes, que variam de pessoas físicas querendo um ensaio a marcas buscando fotógrafos para campanhas. No último caso, Helen só aceita o trabalho quando a proposta está alinhada com sua visão de mundo.

Segundo Helen, ela mesma trabalha a própria autoestima e autoconhecimento por meio da fotografia, e aprende a partir disso: “Ouço de pessoas que meu trabalho é importante e que ele ajuda as pessoas em suas autoestimas. Precisamos olhar pra gente no sentido amplo e olhar as pessoas ao nosso redor. Às vezes ficamos nessa utopia de salvar o mundo, mas antes, é preciso salvar a si mesmo e aos seus”, explica.

Conheça Helen Salomão.

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