Sovinas

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Alguém inventou que dinheiro era assunto de homem, provedor da casa, e as mulheres não podiam se meter, mas não é mais assim.

“Eu era uma pessoa que não guardava nada, gastava tudo”, conta Anita Delmonte. “Eu também, fazia a economia do país girar”, acompanha, entre risadas, Elaine Fantini. Como elas chegaram a se tornar Sovinas, então?

A relação entre as duas começou na faculdade de jornalismo em Juiz de Fora. Anos depois, morando em São Paulo, se reencontraram e passaram horas conversando. Foi quando perceberam que ambas se interessavam em se tornar investidoras e também pelos pretensos mistérios que envolvem essa atividade. “Eu tinha sido expulsa de uns três grupos de discussão sobre investimentos, eram espaços muito masculinizados. Cheguei a chorar”, conta Anita. Elaine, por sua vez, tinha acesso a muita informação porque trabalhou por oito anos como assessora em um banco, mas nunca chegou a investir. “Na época eu achava que não era pra mim”, diz. Após mudar de emprego e começar a produzir – e ler – conteúdo mais acessível, a motivação mudou.

Segundo elas, a curva de aprendizado depende de pessoa para pessoa, mas uma vez que se começa a investir, é difícil parar. Certa feita, ao se encontrarem, Elaine se pegou dizendo “Anita, eu estou muito sovina, meu dinheiro cai e eu não quero mais gastar, eu quero investir”. E Anita se sentia igual. “Tivemos uma época engraçada, de ficar trocando mensagens sobre investimento, enlouquecidas. Aí veio a ideia de criar um grupo para conversar com mais gente, ouvir outras ideias”, conta. E assim, há dois anos, fundaram o Sovinas, um grupo fechado no Facebook, só para mulheres que investem ou querem começar a investir.

O objetivo inicial do grupo era deixar leve a conversa sobre dinheiro e criar um ambiente onde as mulheres pudessem ficar à vontade para perguntar o que quisessem, entre iguais. O que quisessem mesmo: “até tipo ‘vcs contam o salário pro marido?’. Já tivemos que recusar muitos homens que pediram pra entrar, porque queríamos manter o clima e o controle do dinheiro na mão das mulheres”, lembra Anita.

Outra regra importante do grupo é: os posts e comentários são para falar SÓ sobre investimentos – por mais que outros temas, como liderança feminina, por exemplo, sejam de interesse comum. Todas as entradas e posts são moderados pelas fundadoras (comentários não são moderados) e o crescimento foi completamente orgânico. Atualmente, o grupo conta com mais de 3500 participantes, de todos os estados do Brasil, e a conversa é agitada: há, em média, um post seguido de muitos comentários por dia. Do que elas tanto falam? É uma grande troca de conhecimentos sobre investimentos e gestão da grana.

“No começo do grupo precisávamos de muita energia para dar respostas, mas hoje temos respostas muito boas que outras participantes dão. Permitir o crescimento orgânico nos deixou com muita qualidade de compartilhamento das experiências das pessoas”, conta Anita.

Fica claro que não se pode dar assessoria de investimentos na internet, pois há regulamentação para isto. Então a conversa é mais no clima “eu faço dessa forma com o meu dinheiro e talvez faça sentido pra você”, como sugestões. “Quando alguém está com uma dúvida muito pontual, algumas membras do grupo são certificadas e aí podem dar assessoria personalizada”, explica Elaine. E elas garantem, quando o assunto é investimentos e gestão das finanças, não adianta querer uma fórmula pronta, é preciso estudar um pouco e ir atrás. Mas isso não é tão trabalhoso nem difícil e, via de regra, se torna um prazer e uma maneira de empoderar-se.

O maior prazer e orgulho das fundadoras do Sovinas é ver o aprendizado e compartilhamento do conhecimento de companheiras: pessoas que chegaram fazendo um primeiro post com dúvidas básicas (que sempre são bem vindas!), hoje respondem cuidadosamente as dúvidas de outras mulheres.

“Alguém inventou que dinheiro era assunto de homem, provedor da casa, e as mulheres não podiam se meter, mas não é mais assim”, afirma Anita. “Vemos um senso de colaboração muito grande! Acho que isso é algo muito feminino mesmo. Na pegada ‘deu certo pra mim, quero que seja bom pra vc também'”, complementa Elaine. É assim que elas pretendem usar o grupo como uma ferramenta para construir um novo caminho sobre a relação entre mulheres e economia.

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