Empreendedoras negras e a tecnologia

Empreendedoras negras e a tecnologia

Entenda como apropriar-se da tecnologia possibilita construir um negócio sustentável.
Empreendedoras negras e a tecnologia
A tecnologia se mostra uma barreira na hora de empreender, por isso, entender as ferramentas digitais possibilita sobrevivência do negócio

Para muitas pessoas negras o empreendedorismo é uma necessidade para além de sonhos e oportunidades de negócio. De acordo com o Instituto Locomotiva, 57% acredita que sofre racismo ao abrir o próprio negócio, seja por falta de investimento ou crédito no banco. Além disso, a tecnologia se mostra uma barreira na hora de empreender, por isso, entender as ferramentas digitais possibilita sobrevivência do negócio de forma mais equiparada.

Na palestra Carreira de Sucesso*, foi questionado à palestrante Maitê Nascimento, co-fundadora do BlackRocks Startup, como eventos voltados à tecnologia poderiam chegar em mulheres que costuram, criam roupas e não sabem que o que fazem é um trabalho de estilista. Maitê respondeu que muitas pessoas negras já fazem tecnologia, só não sabem ou não dão nome a isso. Ela complementou afirmando que naquele encontro, e tantos outros, os jovens negros podem se apropriar das informações e fazer com que outras pessoas negras possam expandir seu conhecimento, “hackear o sistema”, em suas palavras.

Na informática, “hackear” é conhecer e modificar um ou mais aspectos de dispositivos, programas e rede de computadores. Quando se trata do âmbito social de indivíduos historicamente excluídos, hackear também é compartilhar informações, recriar e repensar novas maneiras de viver em sociedade, para além da sobrevivência.

Se pensarmos bem, a necessidade sempre impulsionou a humanidade a criar métodos e soluções que facilitem o dia a dia, inclusive no trabalho. Quando falamos em empreendedoras negras, especificamente, este ponto está intrinsecamente ligado ao medo de escassez e a falta de respaldo financeiro, o que demanda uma rede social, ou seja, uma ou mais pessoas conectadas por interesses em comum.

Empreendedoras negras, muitas vezes, já possuem essa rede de apoio ou de clientes bem estruturadas. Existem pessoas que apoiam o negócio, por exemplo, vizinhas fiéis que compram e divulgam o serviço ou o produto, mas somente isso não garante uma manutenção sustentável do empreendimento.

Como ampliar as redes sociais nas mídias digitais?

Por ser um ambiente extremamente disputado, a insegurança com as mídias digitais faz parte da vivência de mulheres negras empreendedoras e mais do que isso, muitas não acreditam no real potencial de seu trabalho para expor e precificar de forma justa, principalmente. É um ciclo vicioso que mais do que nunca, precisa ser subvertido.

Segundo dados divulgados pelo Meio e Mensagem, apenas 23% dos empreendedores negros no Brasil se consideram aptos para trabalhar com digital e se enquadram no perfil “muito digital”. Em contraponto, mais da metade, se enquadra no perfil “pouco digital”. As ferramentas mais utilizadas por esses empreendedores são o WhatsApp (64%); Facebook (24%); e Instagram (5%). Além disso, dados revelam que mulheres negras tendem a ser menos familiarizadas com ferramentas digitais que homens negros.

Atualmente, as mídias digitais possibilitam fomentar ações de interesse desta população e mais do que isso, criar um ambiente saudável onde elas possam se sentirem acolhidas e representadas para criar um ciclo capaz de hackear o sistema. Existem algumas iniciativas com o intuito de capacitar empreendedores, que revolucionam a lógica excludente ao direcionar workshops, palestras e encontros de mentorias gratuitas ou acessíveis. O AfroHub e a rede Negras Plurais são exemplos de facilitadores que querem contribuir e potencializar os negócios.

CONECTANDO MULHERES NEGRAS

Pensando nessas deficiências, três comunicadoras criaram uma rede de vendas, compras, trocas de experiências e, hoje, com o auxílio do #ElaFazHistória, promove consultorias e mentorias para mulheres negras. O Preta Comprando de Preta reúne artistas, artesãs, produtoras e consumidoras com o objetivo de promover a conexão entre empreendedorismo e empoderamento econômico de mulheres negras.

Hoje, com mais de 7.900 membras, o grupo conta com mulheres em idades, orientações sexuais e estados civis diversos. Segundo levantamento interno realizado recentemente, boa parte trabalha com prestação de serviços (25,9%), cabelo e estética (24,7%) e roupas e sapatos (16%). O que a maioria tem em comum é a vida financeira atual, 47% declaram-se estar em situação razoável, o que indica um poder aquisitivo e de negócio mediano. Apesar de todas as adversidades como o contexto econômico instável do país, elas encontram diferentes formas de se reinventar, sem perder a qualidade de seus serviços e o desejo de prosperar.

 *Evento organizado pela rede Negras Plurais, em parceria com a IBM

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