Juliana de Faria

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Juliana de Faria
Amadurecemos a discussão graças à nossa força e resistência.

Como jornalista e como mulher, Juliana de Faria não se sentia contemplada pela maneira com que a mídia pautava assuntos atribuídos ao público feminino – muitas vezes de maneira limitada e sem profundidade mesmo quando se falava sobre luta por direitos. Um exemplo disso foi a tentativa de levar a questão do assédio e violência sexual, da qual foi vítima, como pauta no mercado tradicional e ser acusada de querer falar de um assunto “muito politicamente correto”.

Os “nãos” de editores não pararam Juliana. Ela idealizou a Think Olga para ser, como define, “um hub de conteúdo feito por mulheres, para mulheres e sobre mulheres”. Em cinco anos, a organização já emplacou campanhas como Chega de Fiu Fiu e #PrimeiroAssédio, com adesões de milhares de mulheres com as mesmas dores e inquietações de Juliana. Por conta dessas campanhas, ironicamente, a imprensa brasileira precisou voltar os olhos para as demandas das mulheres.

Ela então recorreu ao Facebook como uma plataforma para divulgar estas ideias. “Como jornalista, a única forma que eu conhecia para publicar era em grandes mídias, mas o Facebook me possibilitou publicar e multiplicar o meu conteúdo”, conta.

Segundo a jornalista, a Think Olga tem como objetivo empoderar mulheres por meio da comunicação: “queremos trabalhar a conscientização e educação por meio de conteúdos totalmente gratuitos e de qualidade. Traduzir conversas que antes se limitavam somente à academia e levá-las para a mídia”, explica.

Mas, a produção de materiais de qualidade custa caro e Juliana conta que precisou amadurecer com a Think Olga, traçando metas e objetivos, para assim encontrar maneiras de financiar as atividades e manter o projeto vivo. “Eu não queria que fosse só um passatempo. Queria que tivesse um começo, um meio e não tivesse um fim. Com o tempo, fomos entendendo como poderíamos contribuir para a sociedade e mostrar isso para possíveis parceiros”, conta.

Hoje a ONG de comunicação tem conquistas significativas para as mulheres, tendo impacto na maneira como a imprensa é pautada sobre suas lutas, em como as universidades abordam a questão para futuros profissionais do jornalismo e também, é claro, ao principal público, as leitoras da Olga. Para Juliana, a principal conquista da ONG é ter colaborado para o avanço no debate sobre assédio sexual e violência de gênero nos últimos anos no Brasil.

Um exemplo recente está na aprovação da lei 13.718 que torna crime a importunação sexual (antes conhecida como importunação ao pudor), a chamada vingança pornográfica e a divulgação de cenas de estupro. Muitos argumentos na proposta contaram com dados de pesquisas e imagens de campanhas da Think Olga. “Isso pode levar à punição mais rigorosa, não só por multa, mas também prevê tempo de cárcere e endurece o posicionamento judicial. É muito bacana ver que amadurecemos a discussão graças à nossa força e resistência”, conta.

Juliana acredita no grande impacto da Olga, mas explica que é difícil mensurá-lo. Contudo, basta olhar para si mesma e encontrar o que esperar de um futuro com uma organização como está ao lado das mulheres: “A Olga me ajudou a lidar com a questão que é ser mulher nesse mundo machista. Antes disso eu não achava esse apoio na sociedade, na escola ou mesmo na família. Mas estamos mudando isso por meio da nossa atuação”, diz.

Conheça a Think Olga.

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