Luciana Paulino

Turismo para todos os voos

Luciana Paulino
Quero que a gente continue existindo e resistindo, contando histórias afroreferenciadas no turismo

A profissional de relações públicas Luciana Paulino sempre gostou de viajar e, trabalhando no mercado de turismo, confirmou uma impressão que já tinha: “Nas situações turísticas não via pessoas que pareciam comigo, pessoas negras. Isso me causava incômodo, claro”. Ao comentar com os colegas sua percepção, a explicação que ouvia era que negros não viajam porque são uma parcela da população que tem pouca grana. Mas este argumento não convencia Luciana, afinal há diversas empresas que oferecem pacotes para classes C e D. Foi aí que ela entendeu que isso tem a ver com a relação entre representatividade e turismo – e decidiu encarar esta combinação de temas como seu desafio profissional.

A princípio, Luciana pensou que Black Bird prestaria consultoria para marcas, mas após se unir ao sócio Guilherme Dias o negócio foi tomando outra forma e eles perceberam que poderiam produzir conteúdo sobre o tema. Pouco tempo depois, a pedido de uma amiga, os dois montaram um roteiro turístico de São Paulo que precisaria ser diferente, fora do óbvio. “Então desenhamos um roteiro que incluía a história de alguns personagens negros”, conta Luciana. Foi o começo. Hoje a Black Bird, plataforma de viagem e representatividade, faz uma saída por mês aberta ao público na cidade e oferece o serviço para empresas, como saídas institucionais, além de produzir conteúdo e prestar consultoria.
Há um ano funcionando dessa forma, Luciana conta que se tem se surpreendido positivamente com o interesse das pessoas. “Além de formar um público negro consumidor de viagens, a gente forma um público branco que também consome e conhece isso. As pessoas acolhem, ficam curiosas, querem saber das histórias”, ela diz. Segundo a empresária, há uma lacuna das histórias negras no mercado de turismo do Brasil e investir nisso tem colaborado para “pessoas negras se conectando com o viajar”.

Ainda neste ano, Luciana vai começar um mestrado na University of Southern California, nos Estados Unidos, com o objetivo de desenvolver a empresa. “Acho que esse mestrado veio numa hora muito estratégica tanto pro negócio quanto pelo momento que estamos vivendo no país. Quero que a gente continue existindo e resistindo, contando essas histórias”, ela conta feliz.

Para o futuro, a ideia é aumentar a quantidade de pacotes de turismo afroreferenciados, ou seja, que tenham relação com a história de herança africana e negra no nosso país – a plataforma lançou recentemente um pacote para Palmares. Além disso, é um objetivo dos sócios que a Black Bird possa ser um meio de gerar renda para mais pessoas, seja formando parceiros guias com o “selo” da empresa, seja fortalecendo empreendedores de uma rede também afroreferenciada.

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