Patrícia Santos
Brasil

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Por mais negros
Patrícia Santos
Brasil
Dar oportunidades para profissionais negros não é apenas responsabilidade social, é uma questão de negócio

A diversidade é um assunto que entrou na pauta de grandes empresas. Muitas delas já incorporaram o termo ao discurso, mas ainda possuem poucas ações que realmente sustentam a própria fala. Hoje já vemos políticas que favorecem a equidade de gênero, a inclusão de pessoas com deficiência e do público LGBT. Mas, o que tem sido feito para incluir pessoas negras nos mercados formais?

De acordo com a última estimativa do IBGE*, a população negra – composta por pretos e pardos – corresponde a 55,4% dos brasileiros, o equivalente a cerca de 113 milhões de pessoas. Ainda que representem a maioria da população, de quantos presidentes de empresa negros – mulheres ou homens – você consegue se lembrar? É provável que poucos. Aliás, se sua resposta for nenhum, te damos uma dica de leitura.

Uma pesquisa** revelou que negras e negros ocupam apenas 4,7% dos cargos de nível executivo e 6,3% no nível de gerência das 500 maiores empresas do país. No caso das mulheres negras, a situação é ainda pior: são 0,4% de executivas, apenas duas entre 548 diretores. Se o ritmo atual se mantiver, ainda vamos levar 150 anos** para incluir a população negra nas empresas na mesma proporção que este grupo representa na sociedade.

Negócio contra o racismo

Preocupada com a ausência de negros no mercado de trabalho, e a fim de mudar essa situação, Patrícia Santos, consultora de RH, fundou a EmpregueAfro. A ideia do projeto surgiu após Patrícia promover um processo seletivo para uma vaga e não ver candidatos negros. “Só conseguia pensar: ‘Onde estão essas pessoas?”, recorda.

O trabalho começou em 2005 como projeto social. “Inicialmente, era apenas uma palestra de como montar um currículo e como se comportar na entrevista de emprego”, afirma. Mas, o negócio se consolidou após ela mesma sofrer um caso de racismo no início da carreira: foi demitida por fazer tranças africanas no cabelo. Segundo a gestora que a demitiu, o penteado não estava adequado para o ambiente corporativo e demonstrava “sujeira” e “desorganização”. Esse tipo de comentário é racismo. É crime e inaceitável em qualquer lugar, principalmente em um ambiente de trabalho. Infelizmente, a experiência de Patrícia não foi um caso isolado.

Muitas vezes fugindo do argumento de racismo, de acordo com a empreendedora, muitas pessoas dizem que não entrevistam negros ou negras quando abrem uma vaga de trabalho porque não conseguem encontrar nenhum candidato. É aí que entra o trabalho de EmpregueAfro, uma consultoria de Recursos Humanos com foco em diversidade étnico-racial. A empresa trabalha com recrutamento, seleção e desenvolvimento de profissionais negros e treinamentos sobre a temática para as empresas que valorizam essa diversidade.

Com seu negócio, Patrícia formou um banco de talentos com 4500 pessoas, e conseguiu recolocar 230. Ela já assessorou 20 das 150 melhores empresas para se trabalhar no país, segundo o Guia Você S/A – As 150 Melhores Empresas Para se Trabalhar. “Dar oportunidades para profissionais negros não é apenas responsabilidade social, é uma questão de negócio”, afirma Patrícia.

*Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE

**Instituto Ethos

*** Sebrae

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