Planejamento financeiro para o negócio dos sonhos

Planejamento financeiro para o negócio dos sonhos

Planejamento financeiro para o negócio dos sonhos
Ter autoconhecimento é muito importante para empreender, porque o negócio precisa estar de acordo com a pessoa.

Você quer muito abrir sua empresa e já sabe até em que área pretende trabalhar, então qual o principal freio para começar? Dinheiro, certo? Esta é a terceira matéria da série Do emprego fixo ao negócio próprio e vamos falar sobre planejamento financeiro para empreender.

Dados do Sebrae mostram que um terço das empresas abertas no Brasil fecham em até dois anos. Diante desse cenário, quem tem um trabalho fixo pode decidir mantê-lo enquanto planeja o negócio dos sonhos. Mas, se tudo der certo, em algum momento chega a hora de sair do emprego para se dedicar ao empreendimento, e é aí que ter um planejamento financeiro se torna essencial.
Para Denise Damiani, autora de Ganhar, Gastar, Investir: O livro do dinheiro para mulheres, antes de começar um negócio seria importante ter três anos de gastos guardados. Por exemplo, se você gasta 5 mil por mês em tudo que precisa para viver (das contas fixas à farmácia, da escola dos filhos a eventuais presentes), isso significa 60 mil por ano e deveria guardar, portanto, 180 mil (três anos de gastos). Parece uma conta alta, certo? Mas, segundo a autora, é o tipo de reserva que garante que a empreendedora não entre em pânico por não ter dinheiro para os gastos diários. “Dificilmente algum negócio é rentável nos primeiros anos e o estresse decorrente da busca de soluções para colocar comida na mesa pode levar a decisões de negócio equivocadas”, ela diz.

Já Carol Sandler, fundadora da Finanças Femininas, plataforma online de empoderamento feminino através da educação financeira, é menos radical no tamanho da poupança. Para ela, vale ter uma reserva de 6 meses das contas pessoais (quer você sustente a família inteira ou apenas a si mesma). Mas ambas as especialistas concordam em uma coisa: o ponto de partida é entender, ponto a ponto, quanto e em que são os seus gastos. Essa é a base para conseguir projetar a necessidade de poupança e de rendimentos do futuro negócio. É também essa lista que permitirá entender se há itens que podem ser cortados em nome da reserva financeira.

Quando a designer Mariana Bello deixou seu trabalho para abrir um negócio próprio, cinco anos atrás, percebeu que podia mudar muita coisa no seu padrão de consumos e gastos. “Eu estava acostumada a viver com um bom salário todo mês, então também foi um exercício de mudança”, ela conta. Na época, ainda não sabia qual seria o empreendimento exatamente, mas sabia que precisava investir em algo seu. Apesar de não ter feito um grande planejamento financeiro, ela tinha reservas de FGTS de uma demissão anterior que foram todas usadas para garantir as contas. “Mas minha opinião é que as pessoas devem se preparar para isso”, diz Mariana.

Onde investir no começo

De acordo com Carol Sandler, há uma receita de bolo para o início do negócio e ela é simples: manter os custos no menor nível possível para poder oferecer um produto ou serviço de qualidade neste primeiro momento. “Entenda ele como um MVP – mínimo produto viável. Antes de investir rios de dinheiro em um produto que você não sabe se terá mercado, faça testes para entender exatamente o que funciona, o que vende, e o que não”, explica. Além disso, antes de investir na contratação de funcionários, conheça todos os aspectos do negócio. “O ideal é economizar o máximo possível sem afetar a qualidade do produto ou serviço. Assim que você perceber que achou um mix bom (custos em ordem e um bom volume de vendas), pode começar a investir nos aspectos indiretos do negócio”, completa Carol.

Denise Damiani ainda defende a importância de ter uma lista inicial do que você acha que vai precisar investir e gastar para começar o negócio, como equipamentos, matérias primas, ferramentas. A partir daí, é importante ver se tem dinheiro para girar por pelo menos três ou quatro meses, tempo em que espera-se que o negócio gere renda para pelo menos cobrir os custos.
Mas há quem faça um caminho semelhante ao de Mariana, que decidiu gastar parte da reserva em um curso de pós graduação voltado para sua área. Para ela, esse passo foi crucial no momento de virada. A Feixe acessórios, marca de colares, brincos e pulseiras, surgiu como projeto de conclusão do curso. “Tive a oportunidade de fazer uma pesquisa muito extensa e um plano de negócio”, ela diz. “Além disso, acho que ter autoconhecimento é muito importante para empreender, porque o negócio precisa estar de acordo com a pessoa”, completa. Faz sentido, afinal pode ser arriscado empreender em uma área completamente nova. Nesse caso, é melhor fazer algum tipo de aproximação antes, seja conversando com pessoas do ramo ou fazendo cursos.
Por conta dos testes e descaminhos no meio do caminho, Denise reforça a segurança de uma reserva de três anos. “Se você começa a fazer dinheiro logo, maravilha. Mas se o negócio não der certo em um ou dois anos, tem tempo (ou seja, dinheiro) para começar a buscar soluções”, resume ela.

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